16 de novembro de 2010

As estrelas permanecem


As estrelas permanecem
quando a noite se muda.
Outras estrelas abastecem
o fulgor das noites que se tornam
o verso destes dias.
A boca carrega sílabas de ouro,
íntimo ouro que a língua retira
das palavras.
No mar que contemplamos
nunca existe o mesmo mar.
Nele vivem infinitas formas,
infinitas faces.
É outro.
O mesmo outro.
De uma água que se
esgota na memória.
E em nós correm os dias,
as noites, as estrelas.
Para aprendermos os gestos
da água e do ouro.

Joaquim Pessoa